Eu sinto. Eu sinto muito.

Eu sinto muito quando vejo cachorros na rua, implorando por um olhar, implorando por um carinho. Eu sinto muito que o casamento dos meus pais não tenha dado certo. Eu sinto muito perder o brilho nos olhos e sentir que sinto muito o tempo todo. Eu sinto muito que não tenha dado importância às coisas importantes na hora certa. Eu sinto muito que minha cabeça queira seguir em frente, mas meu coração tente cada vez mais se prender aos tropeços do passado. Eu sinto muito a dependência que tenho da minha mãe. Eu sinto muito o desespero de ver a vida passar e não poder pará-la, nem que seja por um segundo. Eu sinto muito o coração apertado de um amigo, mesmo a milhares de quilômetros. Eu sinto muito a saudade de ter a minha família reunida, na minha casa antiga, no lugar que eu chamava de lar. Eu sinto muito a palavra que não foi dita naquele dia, naquele local. Eu sinto muito a agonia de saber que a vida pode acabar a qualquer momento, sem mais nem menos. Eu sinto muito a dor das pessoas como se fosse a minha. Eu sinto muito voltar a estaca zero no meu tratamento e sentir que, por mais que eu caminhe, permaneço no mesmo lugar. Eu sinto muito estar à deriva num mar de medos e incertezas. Eu sinto muito a vontade de estar perto, de abraçar as pessoas que eu amo.

Uma das coisas que mais ouço dos médicos, da minha terapeuta e da minha mãe é que eu sinto muito as coisas e esse é o meu problema. Se fulano sente algo, eu sinto aquela coisa 5 vezes mais. Sinceramente, isso na maioria das vezes é uma droga. Contudo, sentir tudo tão intensamente faz a gente olhar o mundo diferente, dar valor as pequenas coisas da vida e principalmente ter o que o mundo mais necessita hoje em dia: Empatia. Esse vídeo traduz bem o que é empatia e como ela é fundamental pra nossa sociedade. Durante esses tempo difíceis que estou passando, reconheço o quanto preciso disso.

Eu sinto muito. Eu sinto tudo. Eu sinto o mundo.

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