img_8793

A verdade é que me considero uma pessoa muito aberta, mas nem todo mundo acha isso. Mas a verdade mesmo? Qualquer coisa que me perguntarem eu responderei com a mais pura sinceridade, mas se não perguntarem simplesmente fico quieta. Não faço questão de me expor, até porque acho que falar muito atrai coisas para o bem e para o mal. Prefiro ouvir e assistir tudo com cautela, como boa observadora que sou.

Sem mais delongas, esse post teve que ser feito devido aos últimos acontecimentos na minha vida. Algumas pessoas me interpretam mal ou simplesmente tomam como verdade absoluta algo que não sou por não me conhecerem de fato. Acho que o que mais gira em torno de mim é curiosidade. O que será que ela tem? Porque ela está assim? Etc etc. Então vim falar, pra quem quiser me ler, um pouquinho de mim.

Tudo começou há mais ou menos 5 anos atrás. Eu, como pessoa hipersensível que sou, não consegui passar bem por alguns problemas de família que tive na epóca, e vamos combinar que com 15 anos uma adolescente já não está muito bem psicologicamente né? A auto estima era baixa e motivação estava abaixo de zero. Algumas coisas estranhas começaram a acontecer (clima de Stranger Things). Começou com tremores nos momentos de stress e depois evoluiu para crises de falta de ar. Garganta fechava, o mundo girava e meu grau de miopia parecia aumentar umas 5 vezes. Depois de um tempo eu já não conseguia mover nenhum membro, era parecido com uma paralisia. E doía, doía muito. Isso é chamado de ansiedade, meu amigo.

Isso durou algum tempo. Depois vieram crises dissociativas, eu não conseguia diferenciar o que era realidade do que não era. Sonho se misturava com realidade. Meus parâmetros começaram a sumir e eu fiquei preocupada. Na minha inocência cogitei esquizofrenia. O médico descartou essa possibilidade. Fiquei agradecida, mas não menos preocupada. Dormir começou a ficar muito difícil, medos como o escuro e coisas paranormais, que antes eram medos normais, se transformaram em monstros que vinham me assombrar toda noite. Ah, as noites, os piores momentos pra mim. Até hoje são. O contexto disso tudo? 17 anos, pré-vestibulanda que não conseguia decidir se fazia medicina pra ganhar dinheiro e agradar os pais ou seguia a carreira no que realmente queria, jornalismo. Que já não é o que eu eu quero mais, aliás. Ah, essa eterna metamorfose.

Isso tudo contribuiu para que os distúrbios de personalidade começassem. Eram bons minutos olhando através do espelho não conseguindo reconhecer meu rosto ou mesmo saber quem eu era. Sentia a minha essência escorrer pelos dedos e talvez tenha sido um dos momentos que mais me desesperei. Como viver uma vida sem saber quem você realmente é? Me via vivendo uma vida sem propósito. Cheguei pela primeira vez no fundo do poço e me encontrei mais deprimida do que nunca. Foi nesse momento que precisei mais da minha família e tenho que agradecer por ter podido contar com ela. Minha mãe em especial foi a minha maior confidente e incentivadora. Então deixo aqui meu MUITO OBRIGADA e eu te amo, para ela que se tornou referência de mulher para mim. Ah, não posso esquecer de Lola, minha fiel escudeira canina, aquela que chamo de cachorra anti-depressão. Ela merece todo meu amor, mas o post sobre ela ainda está por vir. Aguardem.

img_8968

18 anos. Faculdade começando, novo clima no ar e meu namorado e melhor amigo surge na minha vida. Tudo parece estar bem, mas as desventuras ainda não acabaram. Em um certo ponto as crises recomeçam com algumas peculiaridades. Junto com os outros sintomas comecei a ter momentos de ausência, simplesmente eu saia do ar e não conseguia responder a nenhum estímulo. as pernas e braços ficavam dormentes e nada se mexia, uma confusão tomava conta de mim. Não conseguia identificar o lugar que eu estava, nem as pessoas ao redor. Não me encontrava. Era uma estranheza total. Após esse momento de ausência eu infantilizava. Mas o que é isso, Júlia? Eu falava com voz de criança, me comportava como uma criança. Acho que tudo isso na tentativa de voltar a uma época em que eu era genuinamente feliz. Uma infância endeusada por mim.

O diagnóstico foi feito (finalmente): Histeria. Atualmente convivo com as crises de ausência e de dormência nos membros. Mas, felizmente, fazem algumas boas semanas que estou bem, sem nenhuma crise. Espero continuar melhorando. Contudo, como isso é sempre uma montanha-russa eu nivelo minhas esperanças para não me machucar muito na queda. Tento não ser muito otimista, nem muito negativa, sigo a linha realista.

Uma coisa é certa: aprendi muito. Olhando de longe consigo ver pontos positivos por ter passado o que passei. Me tornei uma pessoa mais empática, mais pé no chão. Aprendi a importância da palavra e o valor do silêncio. Aprendi que não posso cobrar que as pessoas estejam do meu lado, mas as que realmente importam estarão. Acredito que aprendi a ser mais sábia nas minhas escolhas e a ser mais independente. Amadureci de todas as formas que pude e lentamente venho me tornando a mulher que almejo ser.

Mas essa história não tem finalidade de incitar pena. Muito pelo contrário. Aliás, não quero que essa seja minha história, isso é apenas uma parte dela, pela qual estou passando e vou conseguir superar (torce por mim aí, nunca te pedi nadad). Ah, para quem não sabe o blog, inicialmente, teve o propósito de ser meu diário virtual, uma forma de conseguir falar o que muitas vezes a minha boca não conseguia projetar.

Então, depois de um texto de quase 1000 palavras motivado por uma brincadeira sem graça sobre a minha condição, eu deixo você leitor com a seguinte reflexão: você é responsável por tudo que fala e deve ter muito cuidado quando julga alguém sem saber da sua história. Cada um teve suas desventuras e motivos para se tornar quem é. Então tente ter mais empatia ao invés de apontar o dedo para alguém. Estender a mão para alguém é de graça, tá?

Beijo no core!

Author

Write A Comment