As crônicas que escrevo por aqui são muito do que vivo cotidianamente. Acredito que cada coisa que acontece promove um ensinamento, um crescimento pessoal e profissional também. E foi numa dessas que aprendi a teoria sobre falar merda. Que teoria libertadora!

Quem diria que as aulas de Ética do curso de Jornalismo da UFJF trariam tanta reflexão, né? O que tinha para ser mais um seminário a apresentar para a aula se tornou pauta para reflexões sobre a profissão e sobre nossas próprias ações/falas. O seminário começou com o assunto: falar é uma ação. Você falando ou escrevendo promove automaticamente uma ação e isso, quando pensado sobre a ótica da mudança, é inovador. Já pensou que suas palavras podem provocar drásticas mudanças? Pois é, preste atenção a elas.

Logo depois, a discussão passou para o livro que gerou toda a reflexão que proponho nessa crônica. O livro de 70 páginas do filósofo moral da Universidade de Princeton (EUA), Harry G. Frakfurt, vem trazer para luz um debate do que de fato é falar merda e porque hoje se fala tanta. Intitulado de “Sobre Falar Merda” (título original “On Bullshit”) ele se tornou o primeiro livro editado por uma universidade a liderar o ranking dos mais vendidos do jornal “The New York Times”. E por que tanto sucesso? Bem, em tempos que sê vê tantos políticos com afirmações absurdas, esse tratado realmente vem iluminar essas práticas.

O autor vem dizer que falar merda está próxima da mentira, mas não é a mentira propriamente dita. Isso porque, quando se mente você tem plena ciência do que se trata a verdade, você precisa conhecê-la. Já quando se está falando merda você simplesmente desconhece a mentira e a verdade, apenas fala baseado em achismos, em suposições infundadas. E com uma contemporaneidade que necessita mostrar sua opinião a todo tempo e a qualquer custo, falar merda se torna cotidiano e normal. Isso se vê no Facebook, Twitter, Instagram, muita gente sempre com muito a dizer, mas sem qualquer embasamento empírico ou teórico. É muito do que se vê nos discursos de políticos. Ah, como isso me remete a falas de Dilma e Temer.

E nesse papo de política, Harry adentra a questão da democracia. Segundo o questionamento dele, como podemos votar e se posicionar sobre todos os assuntos sem que tenhamos conhecimento de tal? A democracia seria portanto falha? É algo a se pensar. A comunicação resolveria esse problema? Levar a informação aos mais diversos segmentos da sociedade resolveria toda essa situação? Meu ceticismo diz que isso não é possível. Mas é preciso pensar em caminhos e soluções.

Mas o que realmente quero propor com essa reflexão é fazer você, pessoinha que está me lendo, pensar se você anda falando muita merda. Por que faz isso? Ninguém está a salvo de falar uma merdinha ou outra, mas precisamos estar mais conscientes do que estamos falando, porque, como disse no início do texto: palavras são/geram ações.

 

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2 Comments

  1. To no chão com essa teoria. Como eu nunca havia pensado nisso? Isso se encaixa tanto em algumas pessoas que eu to tendo que conviver, a vontade de mandar esse textinho pra elas é forte, but no.
    Mas é realmente assustador como a internet foi um meio perfeito pra um numero tão grande de pessoas falar tanta merda junta. E o pior é que outras pessoas com a cabeça “maleável” acabam por acreditar nela e além disso propagam a merda também. O mundo as vezes é uma loucura.

    Beijos

    • Júlia Coelho Reply

      Louco, né Júlia? Se puder lê o texto do cara que citei, minha cabeça quase explodiu de tanta coisa verdadeira que a gente nunca percebe no dia a dia. Eu super postei no meu perfil pessoal esperando que algumas pessoas leiam hahaha. Fico revoltadíssima com gente falando merda, namoral. Mas c’est la vie!

      Beijo no core!

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