Lendo uma matéria sobre a importância de se reconhecer problemas de saúde mental como qualquer outro problema de saúde, tive alguns insights. Boa parte da minha vida tive problemas de ansiedade, depressão e dissociação, tive a sorte de ter uma mãe que assim que identificou meus problemas soube lidar com tudo da melhor forma possível. Sem julgamentos, sem me menosprezar.

É engraçado como as pessoas conseguem entender quando alguém quebra a perna, ou pega uma gripe e precisa se ausentar para cuidar de si. Mas quando se deparam com problemas de saúde mental, a questão é tratada como secundária, menos relevante, menos séria. Será mesmo? Proponho uma reflexão, quando estamos quebramos uma perna, só aquela parte de você fica impossibilitada de se mexer ou trabalhar de alguma forma, certo? Pense agora se alguma parte do seu cérebro está “quebrada”. Seu cérebro, aquele que rege e comanda todo o seu corpo. Logo todo o seu corpo não consegue trabalhar. Não seria lógico? Talvez falte a muitas pessoas lógica. Além de empatia, é claro.

Fico feliz de poder falar que muitos professores da faculdade conseguem compreender minhas questões de saúde, entendem as faltas, as saídas de sala frequentes, por não conseguir ficar em ambientes fechados por muito tempo. Contudo, muitos colegas da faculdade, apesar de jovens e mais abertos, não conseguem compreender. Olham com estranheza e diminuem minhas capacidades, num julgamento que não é muito justo. A comunidade acadêmica é bem hostil, muitas vezes. Mas o que vejo em meus colegas é que muitos já desenvolvem problemas de ansiedade, uma depressão aqui, outra ali. A vida adulta é difícil, e para nós que estamos apenas começando é uma porrada atrás da outra, nem todos conseguem permanecer em pé todo tempo para luta. E na tentativa de negar ou melhorar sua autoestima, julgam os próprios colegas. Complicado.

Estamos cada vez mais doentes. Crianças, jovens, adultos e a própria terceira idade. Por que não tratar isso de forma séria? Investir em políticas públicas que auxiliem e deem suporte a essas pessoas, que muitas vezes estão presas em seus casulos num eterno estado de negação. Digo por mim, até hoje é difícil aceitar que preciso de um acompanhamento psicológico contínuo, e olha que já são mais de 6 anos nessa. E que tal para de comparar problemas de saúde? Problemas são problemas, o que é mínimo para alguém pode se tornar uma grande enxaqueca diária para outra pessoa. Parem de minimizar os problemas dos outros, de minimizar as pessoas. Afinal, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.

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